| Objectivos: | O conceito de saúde hoje visto como um estado e, simultaneamente, a representação mental da condição individual, do bem-estar físico e emocional é reflexo de um processo dinâmico e contínuo, sendo a saúde mental inseparável da saúde e do bem-estar geral. A visão da saúde mental tem sofrido ao longo das últimas décadas transformações, ultrapassando um panorama caracterizado pelo estigma e discriminação, e assume-se como um aspeto determinante para o bem-estar do indivíduo e da sociedade, pois esta diz respeito a características e condições intrapessoais bem como à relação do indivíduo com o meio envolvente (família, amigos, trabalho e a comunidade em geral). A Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma que “(…) é quase impossível definir saúde mental de uma forma completa” (2002, p. 32), dado que diferenças culturais, julgamentos subjetivos e teorias concorrentes afetam o modo como a saúde mental é definida. No entanto, é consensual que a saúde mental é muito mais que a mera ausência de perturbações mentais, estando a sua dimensão positiva patente na definição de saúde da OMS (1986), como “(…) um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença” (p.1), ou quando se refere a saúde mental como o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, podendo fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a comunidade em que se insere (OMS, 2002). A nível dos estudos epidemiológicos na Europa, os problemas de saúde mental respondem por cerca de 1/4 da carga total de problemas de saúde. Por outro lado um grande número de perturbações mentais pode iniciar-se na infância, tais como as perturbações desagregadoras, a esquizofrenia infantil, a depressão, as manias e a doença maníaco-depressiva, o comportamento suicida e as suas perturbações, a ansiedade de separação e as perturbações somáticas sendo que a magnitude do impacto resulta não só da prevalência das perturbações mentais, mas também do acesso a cuidados de saúde adequados às suas necessidades. É neste âmbito que situamos o papel potencial da prática psicomotora.
A UC de Avaliação e Intervenção em Saúde Mental tem como objetivo geral desenvolver nos alunos competências para a avaliação e intervenção no âmbito das práticas de intervenção psicomotora realizadas em contextos da saúde mental, numa dimensão preventiva e terapêutica.
A disciplina abordará as perturbações com maior prevalência e impacto na funcionalidade dos indivíduos, enquadradas no âmbito da saúde mental, sendo organizada mediante a apresentação de estudos de caso que ilustram as boas práticas metodológicas da intervenção psicomotora. Desta forma pretende-se fomentar o desenvolvimento do espírito científico, do pensamento reflexivo de modo a facilitar a construção de indicadores de qualidade de acordo com os ganhos associados ao trabalho dos psicomotricistas bem como o reconhecimento e valorização das práticas psicomotoras no âmbito da promoção da saúde mental. Assim, é objetivo desta unidade dar a conhecer modelos de avaliação e intervenção psicomotora e discutir a sua aplicabilidade.
Esta UC pretende desenvolver as seguintes competências nos alunos: - Dominar a conceção de intervenções psicomotoras a nível da avaliação, definição de objetivos, estratégias, métodos, técnicas, atividades e gestão de recursos; - Desenvolver metodologias para o diagnóstico e intervenção psicomotora implicadas na intervenção dirigida a indivíduos de diferentes grupos etários, apresentando: perturbações da consciência; pensamento; memória; orientação; humor; imagem corporal; auto-estima; autocontrolo; coping; stresse; ansiedade; tristeza; solidão; obsessão; alucinação; insónia; agitação; dor; uso de álcool; uso de drogas; interação social. |
| Conteúdos Programáticos em Syllabus: | A disciplina será organizada pelos seguintes conteúdos: a) Políticas globais, modelos teóricos e métodos de avaliação e intervenção no âmbito da saúde mental - Da Psiquiatria à Saúde Mental - A intervenção psicomotora nos contextos da saúde mental - Conceções de Doença Mental e mecanismos bio-psico-sociais - Fronteiras entre o normal e o patológico na infância, adolescência, adulto e idoso numa perspetiva da saúde mental - Noções de vulnerabilidade, fatores de risco e de proteção em saúde mental - O papel da psicomotricidade na prevenção e promoção em saúde mental - A saúde mental na área de aplicação e prática psicomotora b) Avaliação em saúde mental no contexto da prática profissional do psicomotricista - Modelos e instrumentos de avaliação em saúde mental com incidência na avaliação psicomotora - Instrumentos de avaliação na intervenção psicomotora dirigidos para crianças, adolescentes, adultos e idosos c) Intervenção em saúde mental no contexto da prática profissional do psicomotricista, com incidência nos seguintes grupos: - Perturbações mentais na infância; Depressão e ansiedade - Perturbações mentais na infância; Comportamento - Perturbações na infância/adolescência/abuso sexual/luto/stress pós-traumático - Avaliação e intervenção com adultos; Stress e ansiedade - Distúrbios somatoformes, psicossomática, distúrbios alimentares; Adultos e adolescentes - Intervenção com adultos, modelos de intervenção grupal - Intervenção em saúde mental de adultos com experiências de institucionalização prolongada (psicoses) - Intervenção psicomotora na população idosa com demência |
| Bibliografia: | Ballouard, C. (2006). Le travail du psychomotricien. Paris: Dunod. Corraze, J. (2012). Les troubles psychomoteurs. Paris: De Boeck Solal. Calza; A.,& Contant, M. (2007). Psychomotricité. Issy les Moulineaux: Masson. Giromini, F., Albaret,J.M., Scialom, P. (2012). Manuel d’enseignement de psychomotricité. Tome 1 – Concept fundamentaux. Paris: De Boeck Solal. Giromini, F., Albaret,J.M., Scialom, P. (2015). Manuel d’enseignement de psychomotricité. Tome 2 – Méthods et Techniques. Paris: De Boeck Solal. Giromini, F., Albaret,J.M., Scialom, P. (2015). Manuel d’enseignement de psychomotricité. Tome 3 – Clinique et thérapeutique. Paris: De Boeck Solal. Calza; A., & Contant, M. (2007). Psychomotricité. Issy les Moulineaux: Masson (Collection Abrégés). Pierre, A., Benavides, T. (2004). Corps et Psychiatrie. Paris: Heurs de France. Potel, C. (2010). Etre psychomotricien, Toulouse, Erès. Acouturier, B. (2005). La méthode Aucouturier: fantasmes d’action et pratique psychomotrice. De Boeck. |